Chairs: Helena Bernardes Machado e Valentina Matarazzo Falcão
A Organização Mundial da Saúde (OMS) é a agência das Nações Unidas encarregada da saúde pública global, criada em 1948, cujo papel é coordenar políticas sanitárias e responder a emergências de saúde de caráter transnacional. Conforme sua Constituição, a OMS define saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social” e considera a conquista desse padrão de saúde um direito fundamental de todo ser humano. Nesse sentido, a OMS articula diretrizes técnicas (como os Regulamentos Sanitários Internacionais) e orientações normativas para fomentar sistemas de saúde resilientes.
Historicamente, a organização atuou na erradicação de epidemias (p. ex. varíola, pólio) e no fortalecimento de iniciativas multilaterais em saúde (vacinação, doenças não transmissíveis). Em nosso contexto contemporâneo, a OMS enfrenta desafios inéditos: cresce o reconhecimento de crises como a saúde mental global e a infodemia em saúde, que cruzam fronteiras e envolvem sociedade civil, tecnologia e governos. Como acomodar a gravidade desses problemas no escopo de ação da OMS, respeitando a soberania dos Estados? De que forma os Estados Membros podem cooperar para transformar os sistemas de saúde mental sem aumentar desigualdades? Como balancear regulação da informação online com o direito à livre expressão? O debate multilateral deve explorar essas tensões.
A mesa organizadora convida os delegados a analisar criticamente a função da OMS frente a tais dilemas contemporâneos, propondo soluções cooperativas inovadoras e consistentes com normas internacionais
A saúde mental tem ganhado destaque como uma questão global, afetando diferentes populações de forma desigual. Fatores sociais, econômicos e culturais influenciam o acesso a serviços de cuidado, evidenciando disparidades entre países e dentro deles. A crescente demanda por atenção à saúde mental desafia sistemas de saúde já sobrecarregados.
A cooperação internacional torna-se essencial para compartilhar conhecimentos e fortalecer capacidades institucionais, mas enfrenta limitações relacionadas a recursos e prioridades nacionais. O tema envolve tensões entre reconhecimento do problema e capacidade de resposta, além de destacar desigualdades estruturais no acesso ao cuidado.
A disseminação de informações falsas ou enganosas em saúde tem se intensificado com o uso de plataformas digitais, afetando a confiança pública e a eficácia de políticas sanitárias. Esse fenômeno, conhecido como infodemia, pode comprometer campanhas de vacinação e outras medidas de saúde pública. A circulação rápida de conteúdos dificulta a verificação de informações.
O enfrentamento desse desafio exige coordenação entre governos, organizações internacionais e empresas de tecnologia. No entanto, surgem tensões entre regulação da informação e liberdade de expressão, além de diferenças na capacidade dos países de lidar com o problema. O tema destaca a importância da governança global da informação em saúd